COP-15 copenhagen!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A lei da impermanência.


Tudo está em constante transformação...

A transformação é constante em tudo...

O medo da transformação é o medo de crescer...

O medo de crescer é o medo da perda...

E o medo da perda é a ilusão da posse.


A ilusão da posse vem da sensação de carência...

Sendo que a carência nunca se termina... Tudo muda sempre...

A carência, ao buscar recursos para se auto-aliviar, sejam eles materiais ou emocionais, frustra-se com muita frequencia. Aí vem a dor... A dor que é o principal agente de mudança.

Nada temos pois que somos um constante mudar... O apego as coisas materiais, as pessoas, á certos tipos de emoções, de prazeres, traz-nos constantemente a dor da perda; perda daquilo que achávamos que nos pertencia, mas que, na verdade, nunca nos pertenceu... Pois que nada, absolutamente nada pertence á ninguém. Tudo é e só é... Todos vivem e fluem neste todo. O todo está em todos mas não pertence á ninguém...
As ilusões são muitas no nível mais comum da existência...

As dores também o são e tem a única função de lembrar a todos do constante crescer, do constante mudar... É preciso soltar aquilo que temos para que sejamos mais e mais livres...

Para que possamos viver mais profundamente a divina vida que flui em nós... É preciso soltar-nos de tudo... De nossos conceitos rígidos, de nossas auto-imagens (tanto bonas quanto ruins) para que assim possamos fluir como pássaros livres que alçam voô em direção ao sol...

Mudar sempre mudar – isso é crescer.

Deixar as mudanças naturais nos conduzirem – isso é aceitar o crescimento...

Soltar... Amolecer... Flexibilizar... Eis a receita para a Paz.


Zanatron.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Não tenha pressa – vamos desacelerar um pouco.

É preciso que haja espaço.


Não tomemos decisões apressadas, pois que, no curto espaço de alguns minutos, todo o nosso cenário interno pode mudar completamente...

Aquilo que ainda há pouco era a coisa mais importante do mundo, num breve instante de respiração pausada e ela se mostra vazia de significado...

Ao longo de nossas existências, muitas e muitas coisas ganham e perdem sentido umas após as outras; não há como evitar...

Projetamos aquilo muito que deve nos tornar felizes e realizados e seguimos buscando de tentativa em tentativa, incansavelmente...

Isto com certeza é parte do exercício de nosso eu-profundo procurando se descobrir a si mesmo através da experimentação...

E nessa busca pelo verdadeiro sentido, muitas vezes e muito facilmente nos perdemos em personagens que acreditávamos fossem a glória da bem-aventurança...

Porém, novamente tudo se transforma e nos vemos denovo sózinhos e desprovidos de valor ante a insondável dança da vida...

Então mudamos rapidamente de direção no afã de encontrar novos referencias para mais uma configuração que nos sustente...

Assim é que continuamos nos debatendo de representação em representação enquanto permanecemos apenas no nível do Ego...

Nossa batalha cega pela imitação de modelos que nos cantam a beleza estética, a fama, a riqueza e o reconhecimento não nos permitem enxergar nossa natureza luminosa...

Esta é a essência que desabrocha de nosso profundo silêncio e que é a perfeita expressão do Amor Maior em nosso íntimo...

Esse inequívoco sentimento de ligação com todas as coisas que nos desperta a visão da Realidade para além de todos os aspectos...

Isso é o que acontece quando desaceleramos para nos colocar em sintonia com o desconhecido que habita em nós...

Sem pressa e então conseguimos diminuir o fluxo descontrolado de pensamentos, emoções e ansiedades que nos dominam e nos aprisionam...

E com essa calma surgida, com essa tranquilidade profunda, então rompemos o sutil invólucro que existe entre o que pensávamos que fossemos e aquilo que realmente é.


Namastê, Leonardo Janz.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Simplicidade Voluntária - Iniciando o Despertar


Os sistemas de sustentação da Vida na Terra dão sinais alarmantes de esgotamento em sua capacidade de restauração. É absolutamente insustentável que todas as pessoas consumam nos níveis e formas que têm caracterizado a sociedade industrial. É essencial a adoção de estilos de vida mais inteligentes, baseados na frugalidade e na sustentabilidade ecológica.

Clareando a Visão

Viver simples é ter clareza de propósito. Definir esse propósito é algo individual, e irá determinar o que é relevante para cada pessoa. Dessa forma, a expressão exterior que uma vida simples irá assumir também é algo muito pessoal. Pode-se dizer que a simplicidade integra aspectos interiores e exteriores da vida, transformando-a num todo integrado e pleno de sentido.

A adoção de uma vida simples é um ato voluntário porque diz respeito a usar de mais autonomia, determinação e liberdade. Trata-se de assumir a responsabilidade pela sua própria vida. A pobreza é involuntária e debilitante; a simplicidade é uma opção consciente e fortalecedora.

Simplicidade Voluntária, na definição de Duane Elgin, "é uma maneira de viver exteriormente mais simples e interiormente mais rica, um modo de ser no qual nosso eu mais autêntico é posto em contato direto e consciente com a Vida."

Com a adoção da Simplicidade Voluntária, passamos a depender cada vez menos de fatores externos para desfrutar de uma existência feliz. Com isso, diminui nosso medo existencial, e nos tornamos seres mais amistosos, solidários e alegres.

A simplicidade consciente, portanto, não é a negação de nós mesmos, mas uma afirmação da vida. Uma vida frugal, adotada voluntariamente, não se constitui em uma experiência "ascética" (no sentido de estrita austeridade); ela é, antes, uma "simplicidade estética", onde o padrão de consumo adapta-se com harmonia à arte prática da vida cotidiana neste planeta.

Na aplicação da Simplicidade Voluntária podemos utilizar um modelo conceitual com cinco níveis de atuação e aprimoramento:

. sistemas de energia / alimentos
. transportes / comunicação
. relações com os outros seres
. habitação / assentamentos humanos
. educação / cultura.

Os sistemas de sustentação da Vida na Terra dão sinais alarmantes de esgotamento em sua capacidade de restauração. É absolutamente insustentável que todas as pessoas consumam nos níveis e formas que têm caracterizado a sociedade industrial. É essencial a adoção de estilos de vida mais inteligentes, baseados na frugalidade e na sustentabilidade ecológica.

A simplicidade no viver tem uma enorme importância no que diz respeito a esses desafios. Como indivíduos, passamos a dispor de inúmeras possibilidades de ação significativa, pois a matéria-prima da transformação social é idêntica àquela com a qual a nossa vida diária é construída. Cada um de nós contribui de forma singular para a Teia da Vida. Assim, os resultados dessa época de transição planetária irão depender das opções individuais e cotidianas que adotarmos.

Como espécie humana, já dispomos de todas as condições necessárias para viver na prática uma Cultura de Paz. Dispomos de tecnologias brandas e acessíveis; podemos nos conectar mundialmente com pessoas de interesses afins; não necessitamos de lideranças heróicas, maiores do que nossa própria humanidade. Nossa única necessidade é optar, como indivíduos, por um futuro revitalizante, e agir em comunhão com os outros, para fazer esse futuro frutificar. Longe de estarmos indefesos, somos a única fonte de onde podem emergir a necessária criatividade, compaixão e determinação.

(Texto baseado em Duane Elgin "Simplicidade Voluntária", anotações de treinamento)

Lei da Simplificação Progressiva

" O verdadeiro crescimento é a capacidade demonstrada por uma sociedade de transferir quantidades cada vez maiores de energia e atenção do aspecto material da vida para o aspecto não-material e, assim, evoluir em cultura, potencial de compaixão, sentido de comunidade e força democrática. "


Fonte: Simplicidade.net

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A vida é como um piquenique de domingo...


... Ela não dura muito tempo. Só olhar o sol, sentir o perfume das flores ou respirar o ar puro já é uma alegria. Mas se tudo o que fazemos é ficar discutindo onde pôr a toalha, quem vai sentar em que canto, quem vai ficar com o peito ou a coxa do frango..., que desperdício! Mais cedo ou mais tarde o tempo fecha, a tarde cai e o piquenique acaba. E tudo o que fizemos foi ficar discutindo e implicando uns com os outros. Pense em tudo que se perdeu.

Você pode estar se perguntando: se tudo é impermanente, se nada dura, como pode alguém viver feliz? É verdade que não podemos, de fato, agarrar ou nos segurar às coisas, mas podemos usar esse conhecimento para olhar a vida de modo diferente, como uma oportunidade muito breve e rara. Se trouxermos à nossa vida a maturidade de saber que tudo é impermanente, vamos ver que nossas experiências serão mais ricas, nossos relacionamentos mais sinceros, e teremos maior apreciação por tudo aquilo que já desfrutamos.

Também seremos mais pacientes. Vamos compreender que, por pior que as coisas possam parecer no momento, as circunstâncias infelizes não podem durar. Teremos a sensação de que seremos capazes de suportá-las até que passem. E com maior paciência seremos mais delicados com as pessoas a nossa volta. Não é tão difícil manifestar um gesto amoroso quando nos damos conta de que talvez nunca mais estaremos com a nossa tia-avó. Por que não deixá-la feliz? Por que não dispor de tempo para ouvir todas aquelas histórias antigas?

Chegar à compreensão da impermanência e ao desejo autêntico de fazer os outros felizes nesta breve oportunidade que temos juntos, constitui o começo da verdadeira prática espiritual. É esse tipo de sinceridade que efetivamente catalisa a transformação em nossa mente e em nosso ser.

Não precisamos raspar a cabeça nem usar vestes especiais. Não precisamos sair de casa nem dormir em uma cama de pedras. A prática espiritual não requer condições austeras -- apenas um bom coração e a maturidade de compreender a impermanência. Isso nos fará progredir.

Chagdud Tulku Rinpoche, em "Portões da Prática Budista".

Fonte: Samsara Blog > http://www.samsara.blog.br/

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ecosofia - Revisão e Aprofundamento.


Apresentação.

Queridos Amigos,

O texto que hoje quero compartilhar com vocês é ao mesmo tempo um resgate e uma revisão do conceito de Ecosofia (que para mim se traduz num razoável aprofundamento). E ao contrário de ser complexo ele é um texto leve, muito lúcido e altamente valioso. Curiosamente o mesmo foi escrito há mais de dois anos com excertos de um livro que é devidamente citado. Espero que gostem da leitura, enfatizando que o mesmo irá entrar para minha base de dados como “refêrencias”.

Num fraternal Abraço, Léojanz.


Ecosofia

Não me parece necessário voltar aos detalhes e exemplos da grave situação da sobrevivência do planeta em que nos encontramos – situação que é provocada pelo atual sistema econômico e produtivo. Este traz consigo uma lógica de destruição da natureza por meio de uma exploração desmedida e uma crescente contaminação da Terra.

[...] Sem mudar a visão do mundo que chega até nós dada pela cosmologia científica moderna não chegaremos a superar a crise. Faz falta para nós uma nova consciência ecológica, a qual me permiti denominar ecosofia.

Forjei a palavra ‘ecosofia’ para designar um novo nível da crescente consciência ecológica. A ecologia, enquanto logos do oikos, ainda nos faz pensar em uma ‘exploração’ dos ‘recursos’ da terra (sem dúvida mais racional), mas não nos sugere a mutação necessária, a mudança de mentalidade indispensável para a sobrevivência da humanidade. A palavra inglesa ecosystem, que queria ressaltar a harmonia do ‘sistema ecológico’ é conhecida desde 1935.

Tudo isto certamente representa grandes passos no rumo certo; mas o próprio vocabulário que fala de exploração, recursos, necessidades, desenvolvimento etc, sugere que a cosmologia subjacente permanece inalterada. Da mesma forma que hoje se compreende que o homem é (também) um corpo e não somente tem um corpo, é preciso retornar à antiga sabedoria, que nos diz que o homem é a terra, e não somente mora na terra. [...] O homem é a terra, mas a terra também somos nós.

A ecosofia cumpre uma função reveladora. Ela nos revela que a terra – assim como nós mesmos – é limitada, finita; e que temos relações estreitas com ela: relações constitutivas – e, portanto, recíprocas. É uma nova – e antiga – sabedoria. Quanto ao que se refere à nossa questão, a ecosofia nos revela que as fronteiras dos estados são artificiais e não naturais; que a contaminação não reconhece passaportes, que o ozônio da atmosfera não se submete à soberania de um só estado; que as nuvens são mensageiras de amor – como sabem os poetas de Kalidasa – mas também de chuva ácida. Em poucas palavras: a ecosofia nos revela que a dita soberania, inclusive a soberania territorial, é uma ficção. Ela manifesta para nós a interdependência do mundo. Cai o estado soberano. As restrições alfandegárias tornam-se inúteis. É preciso conceber um novo modelo.



Esta é a reflexão muito lúcida de Raimon Panikkar, em seu maravilhoso livro O Espírito da Política - Homo Politicus(originalmente publicado em 1999 na Espanha, editado em 2005 no Brasil pela Triom). Mas a importante contribuição dele com a 'ecosofia' não pode se limitar à criação de uma nova palavra ou conceito. Sem dúvida é fundamental neste momento apontar para o fato de que o discurso eco-lógico fala de 'sustentabilidade' ou de 'desenvolvimento sustetável' -- e isto é perpetuar o horror, pois continua a significar a exploração da Terra -- só que passamos a ter dó ou pena dela, e passamos a 'fazer doer' com mais cuidado. Vamos continuar a machucar, abusar e destruir, mas com mais cuidado (talvez instrumentação melhor e mais sofisticada, como nos propõe a saída tecnológica?) -- e é por medo, há que se dizer. Esta mentalidade do 'sustentável' continua a ser de como a Natureza pode sustentar a humanidade, e não de como a humanidade passará a sustentar o planeta -- ou daquilo que faremos juntos, um com o outro, um para o outro, um pelo outro.

Não, a Terra não vai agüentar o discurso eco-lógico por muito mais tempo, embora ele pareça bastar para pacificar nossa consciência culpada. Pois a nossa lógica só a machucou e destruiu, e assim continuará a fazer, mesmo que agora passe a se chamar de 'eco-lógica'.

Nós, seres sensíveis, que como São Francisco de Assis consideramos nosso irmão o Sol e nossa irmã a Lua, nós que ouvimos a sinfonia do vento nas árvores e a voz dos rios, temos que desenvolver uma nova consciência... Mas será que vamos?

Fonte original: paraserzen