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sábado, 26 de dezembro de 2009

Avatar – Uma crítica e dois modelos de sociedade


Olá pessoal.


Quero hoje compartilhar com vocês minha visão acerca desse tremendo sucesso do filme de James Cameron (Avatar). Minha leitura inicial do mesmo estava correta: o filme nos traz uma excelente crítica e reflexão acerca do caminho que temos optado enquanto civilização. O contraste é absolutamente perfeito entre uma sociedade antropocêntrica e tecnológica (a exemplo da nossa) e uma sociedade cuja dinâmica se desenvolveu de modo ecocêntrico e não-artificial.

Não é á toa que vários sites de crítica especializada tem destacado o que realmente parece ser o coração de toda a trama (para bem além inclusive do belo romance entre o personagem Jake e a nativa Neytiri). O tema central do enredo gira, sem dúvida nenhuma, em torno de um flagrante contraste entre o ‘sagrado’ e o ‘profano’ – como assim nos diria o eminente professor Mircea Eliade.

A força maior do filme, desse modo, repousa justamente neste ponto em que ele nos lança em rosto o caminho que temos seguido como civilização e no que temos nos transformado enquanto sociedade global. E o próprio James Cameron (em entrevista) fez questão de enfatizar: “Eu tenho pra mim que isto não é só ficção. Eu sei que na imensa vastidão do universo, e em mais de uma lugar, por certo, existem várias ‘Pandoras’”.

Assim e não há como se equivocar quanto a mensagem de alerta sobre o modo desequilibrado como temos vivido. Não temos sabido conjugar adequadamente estes dois aspectos complementares de nossa psique: o material e o espiritual. E desse desequilíbrio, o resultado não pode ser outro que não uma sociedade extremamente doente que, sem perceber, ela própria se coloca numa rota de suicídio.

É nítido no filme que de um lado temos nós, os humanos, os quais, tendo já como que completamente perdido nossa conexão com a Mãe-Terra, não conseguimos ver outra dinâmica para a vida senão a do individualismo, da ganância e da exploração-destruição. Do outro lado temos uma civilização que seguiu o caminho exatamente oposto, donde sua íntima ligação entre si e com a Natureza lhes propicia uma grandioza vitalidade e sabedoria.

Vemos que os Na’vi são seres que se conectam em todos os níveis da existência, enquanto que nós, humanos, sequer conseguimos enxergar uns aos outros. A vida de que eles desfrutam é de uma profunda reverência e harmonia para com o Meio, enquanto que, para nós, o Meio que nos sustenta ainda não passa de um mero instrumento para o saciar de nossa estúpida ambição egóico-materialista.

Os Na’vi tem existência real; ou seja, eles vivem de verdade cada momento de modo absoluto – o que significa que eles vivenciam o Self. Fica totalmente claro ao longo da projeção sua postura de honra e lealdade diante do aqui-e-agora, enquanto que nós, os ‘ultra inteligentes’ seres humanos, por outro lado, passamos a maior parte de nossas vidas (o tempo psicológico) em alucinações e fantasias de nossa condição aparente.

A reflexão e crítica do filme, concluindo, é pois mais do que ampla e contundente. Ela á uma crítica escancarada ao nosso atual modelo mental e dinâmica como sociedade. O grande detalhe final, tendo em vista que o tempo dos acontecimentos propostos é no ano de 2154, é saber se podemos ser tão otimistas quanto o autor. Isto é, resta saber se até lá ainda teremos existência como espécie para que haja então alguma história a se contar.

Namastê Leonardo Janz

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