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segunda-feira, 4 de maio de 2009

Propensões, Cassiano Verenese


Não se sabe, apesar da evolução dos sistemas de análises, como se comportarão as sociedades em relação aos desafios atuais.

Por um lado, cidadãos, entidades e governos se mobilizam, promovendo fóruns, debates, investindo em idéias voltadas às tecnologias limpas, formação de ‘novas consciências’, etc.

A legislação e indústrias se preparam para produzir motores elétricos, investem na pesquisa de novas matrizes energéticas, a engenharia genética transforma o quadro da alimentação, cura e profilaxia de doenças.

Por outro lado, não sabemos se as populações poderão adaptar-se a tempo às exigências ambientais: reduzir emissões de carbono, de lixo, praticar consumos racionais de água, de energia, e outros.

Tudo indica que a velha luta entre o bem e o mal se trave também aí, nesse campo.

Existem cidadãos, entidades, empresas e governos com capacidade e intenção de mudança, de renovação; e existem cidadãos, entidades, empresas e governos incapazes e mal intencionados, voltados ao próprio bem estar em detrimento dos outros, da natureza, do planeta, do universo inteiro.

Não sabemos que ‘tipo’ de ser humano prevalecerá.

Parece mesmo muito mais provável que o ser humano esteja indo em direção ao desastre. Um ser de grande potencial de inteligência e solidariedade, características que, no entanto, vêm à tona em poucos, considerando a grande miséria e falta de condições em que vivem grandes grupos humanos.

O império do sofisma (mentiras que parecem verdades) na linguagem praticada - uma característica desenvolvida fortemente pelos políticos - o ‘partidarismo’: uma lamentável ocorrência social que parece fazer parte da matriz humana, ou seja, a geração de polêmicas e a formação de grupos antagônicos; tudo isso somado à corrupção e ao egoísmo, compõe um quadro onde as ‘propensões’ não são muito boas.

A perspectiva da vida ‘como economia’ é um desastre. Esta é a perspectiva dos governos mundiais. Quando sobem e ao subirem ao poder (e para mantê-lo) os governos têm que dar conta de gerir complexos sistemas de saneamento, educação e saúde básica e construção de obras públicas - o que faz com que ‘coisas’ como cultura, uma verdadeira educação e uma verdadeira cidadania sejam relegados a segundos, terceiros, quartos planos, e não se realizem.

É a aglomeração humana desqualificada (baixos índices de informação) que gera este caos.
Os políticos se aproveitam dele.

Inferir que as populações mundiais dependem do mercado, que todas as ações humanas advém de um mercado rico e próspero é um tremendo sofisma, uma enganação, uma construção parcial e incorreta de raciocínio.

Trocando em miúdos: dizer que ‘se o mercado está bem, o ser humano está bem’ é uma grande estupidez.

Por estas tantas questões, o velho anarquismo começa a despertar novas sementes. Muitos têm percebido que a noção de ‘representação política’, por exemplo, e a constituição de poderes coletivos a uma pessoa é uma aberração, do ponto de vista da axiologia.

Em essência, ninguém representa ninguém, a não ser por curtos instantes. Nós, seres humanos, não suportamos fazê-lo, e gostamos de representar a nós mesmos.

Este é, portanto, um sistema axiologicamente errado, que só permanece por uma imensa falta de opção ao encararmos a gerência pública da aglomeração humana.

A ‘retirada sustentável’, a opção por novas formas de conduta e diálogo com o ‘mundo’, está a cargo de novas experiências, de pessoas que percebam a situação, e passam a fazer tais tentativas.

Algumas coisas não podem ser perdidas, contudo, simplesmente deixadas para trás: as conquistas cognitivas não podem retroceder. As evoluções contidas nas várias escolas científicas e filosóficas - conquistadas a duras penas por muitos de nós - não podem ser simplesmente abandonadas.

A sociedade global, com todos os seus problemas, mantém certos núcleos de pesquisa e prática do saber que fazem com que estas conquistas passem adiante, sigam, e são levados adiante por parte dos seres humanos de boa vontade que habitam este mundo.

A forma, portanto, das novas micro-sociedades sustentáveis, têm de contar com a ciência histórica, ao promoverem o uso de energia solar por exemplo, contando com a colaboração de todas as equipes de cientistas que desenvolveram os sistemas de captação de energia atuais, até chegarem a este refinado ponto.

As novas micro-sociedades sustentáveis não podem abrir mão do conhecimento oriundo da filosofia clássica, moderna e contemporânea: não podem abrir mão das descobertas de Descartes ou Kant sobre a cognição; nem das críticas de Nietzsche à pequenez axiológica de cientistas e filósofos; nem tampouco das aulas de Paul Feyerabend sobre a indução, a propaganda e a manipulação teórica dos cientistas, políticos e filósofos para chegarem a seus objetivos.

As novas micro-sociedades sustentáveis não poderão deixar para trás as indicações de Ilya Prigogine sobre a necessidade de novas formas de consideração da relação homem-natureza.

Elas deverão saber para sempre que a ciência moderna, e todo o sucesso que ampliou a oferta científica e tecnológica - dos eletrodomésticos até os carros - se instituiu na forma do positivismo: como ‘domínio’ da natureza, um domínio que está nos sufocando.

Esses novos centros de cultura que virão devem ter em conta os desenvolvimentos que Karl Popper impôs às teorias do conhecimento, ao reuni-las, comentá-las e desenvolvê-las, avançando e impondo os domínios atuais da disciplina.

A expansão crítica é inevitável. Essa nova geração ecosófica deverá abarcar toda a ciência e toda a filosofia anterior.

E sobretudo inspirar-se nos grandes homens, cientistas e filósofos, esquecendo os ídolos de futebol, das tv’s, jornais e revistas, que em sua imensa maioria, são falsos ídolos.

Alguém precisa ensinar às crianças, sobretudo, quem são os verdadeiros inspiradores da saga humana por esta terra: os seres humanos que elevaram os códigos: morais, científicos, filosóficos.

Por isso a impressão de continuarmos tentando separar o joio do trigo. Temos de chegar ao ‘iluminismo’, superando as trevas, a ignorância.

Do mesmo jeito que muitos de nós tentamos melhorar o nível, atuando em solidariedade, pesquisa e disciplina, muitos contudo tentam aproveitar-se da situação para gerar mais discórdia, mais obscurantismo, para venderem mais armas, para espalharem mais falsas noções. É a dupla, talvez múltipla natureza humana.

Talvez o número e a qualificação dos envolvidos nessas novas micro-sociedades sejam fundamentais para definir seu sucesso. Aparentemente grandes massas só podem existir em sociedades imensas.

O grande desafio às novas gerações é que se neguem em viverem uma vida escrava e inútil, aceitando - justamente pela falta de qualificação humana, idéias sofísticas espalhadas pela mídia em prol da massificação e formação de consumidores.

Filósofos do Planalto

http://www.filosofosdoplanalto.org.br/

Um comentário:

  1. A sociedade de consumo do mundo capitalista é um modelo esgotado de vida, que trata o planeta como se ele fosse feito de bens infinitos.
    E a Terra é finita. E a Vida conseguiu existir estes milhões de anos todos graças à reciclagem harmônica que ocorre no planeta. Mas estes ciclos biogeoquímicos todos estão sofrendo interferências insuportáveis para a continuação da homeostasia do caudal da Vida nesse planeta.
    A coisa é tão estúpida que os economistas medem o progresso pelo PNB ou PIB, a soma algébrica das rqieuzas geradas num país durante o ano.Ocorre que, ecologicamente, este é um falso índice de medir progresso. A derrubada de 1000 pinheiros HOJE vão produzir dinheiro, gerar pagamento de impostos, enriquecer a serraria, a fábrica de móveis, etc...isto é, a derrubada desses 1000 pinheiro vão aumentar o PIB ou PNB...mas apenas ESTE ANO ! Porque no próximo ano, no lugar dos pinheiros estará um começo de deserto.
    Se a sociedade tivesse juízo o PIB teria de ser substituído pelo PFN...o Produto da Felicidade Nacional !
    Mas a sociedade é tão doente que inventou métodos de medir peso, volume, distância, luminosidade, voltagem, etc...mas não consegue medir a FELICIDADE !
    Abração

    James Pizarro
    www.professorpizarro.blogspot.com
    www.antesqueanaturezamorra.blogspot.com

    ***Adicionei teu blog na capa do meu blog ecológico, recomendando-o para leitura.

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