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sábado, 29 de agosto de 2009

O desafio civilizatório – Cidades Sustentáveis



Saudações, galera.

Tendo em vista a proximidade de uma nova corrida presidencial em nosso prodigioso Brasil, destacando-se a candidatura de Marina Silva ante o cenário, cremos oportuno resgatar este tema, que, segundo julgamos, deveria se constituir no cerne para toda e qualquer plataforma de governo, independentemente de país ou partido político.

Obs: não deixem de ler ao final (fonte2) os princípios fundamentais para o estabelecimento de estratégias.

“Uma cidade sustentável depende da capacidade de reorganizar os espaços, gerir novas economias externas, eliminar as deseconomias de aglomeração, melhorar a qualidade de vida das populações e superar as desigualdades sócio-econômica.”
(Eduardo Alva, 1997 )

As cidades surgiram no interior das sociedades agrícolas no ano 2.000 a.c , no Egito. Na idade média, devido ao comércio praticado a longa distância, as cidades adquiriram a feição de entreposto comercial. No século XIX, a Revolução Industrial trouxe um novo conceito : a qualidade de vida já ameaçada pela poluição gerada pelas fábricas na Europa. No Brasil, nos anos 50, o desenvolvimento econômico foi impulsionado pelo setor automobilístico. A cidade moderna torna-se um polo concentrador de comércio, serviços e informações. Ela passa a ser o principal espaço de consumo e circulação de riquezas produzidas no campo.

Com a mecanização da lavoura, a fixação do homem no campo torna-se inviável. A indústria reforça o desfecho dado pela lavoura quando transfere geograficamente o núcleo produtivo do campo para o meio urbano. Formam-se os movimentos de migração em massa provocando o caos nas grandes cidades. O crescimento descontrolado da população urbana demanda serviços, equipamentos públicos, transportes, comércio, tecnologia, causando uma série de transtornos à dinâmica das cidades.

Em 1992, a Conferência Rio-92 produziu um documento conhecido como Agenda 21, que selava a indissociabilidade do desenvolvimento econômico em relação a conservação do meio ambiente. Surge então o conceito de cidade sustentável, um lugar onde as conquistas no campo do desenvolvimento social, econômico e ambiental deveriam se estabelecer. Mas, paira uma dúvida no ar: de que forma será possível adaptar as cidades aos atributos exigidos pela sustentabilidade?

A literatura é vasta e, nela, encontra-se a indicação do livro de Girardet denominado “ Cidades “, escrito em 1989 . Ele considera as megalópolis, verdadeiras usinas de consumo de energia e de produção intensiva de resíduos sólidos. Uma outra teoria aventada era a que enfocava cidades biocidas e cidades ecológicas, se comparadas às suas formas de organização. As cidades biocidas eram associadas às máquinas potentes de destruição da natureza e geradoras de stress humano e as ecológicas seguiam o padrão sustentável.

No ano 2000, surge um documento elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente , denominado de “ Cidades “ onde se destaca seis temas centrais referentes à incorporação da dimensão ambiental nas políticas públicas. Os temas centrais são : 1-agricultura sustentável; 2- cidades sustentáveis; 3- infra-estrutura e integração regional; 4- gestão de recursos naturais; 5- redução das desigualdades sociais; 6- tecnologia para o desenvolvimento sustentável.

A construção das cidades sustentáveis demanda mudanças estruturais e grande articulação entre os atores envolvidos. Planos traçados para estas cidades, favorece o surgimento de um novo modo de concepção de projetos e de execução de obras.

Neste momento, o papel das incorporadoras torna-se crucial. São difundidos os nove passos necessários para se chegar a uma construção sustentável, quais sejam: planejamento sustentável da obra; aproveitamento passivo dos recursos naturais; eficiência energética; gestão e economia da água; gestão dos recursos sustentáveis na edificação; qualidade do ar e do ambiente interior; conforto termo-acústico; uso racional de materiais e uso de produtos e tecnologias ambientalmente amigáveis.

Um levantamento realizado pelo Conselho Empresarial Mundial para o desenvolvimento confirma : a construção é conhecida como o setor dos 40%, pois essa é a quantidade que se leva do consumo mundial de energia, água e recursos naturais. No entanto, a evolução do conceito de cidades apresenta lenta adoção de métodos eficazes que confiram ao estágio em que se encontram, a denominação de “ cidades sustentáveis ”.

Carol Salsa, engenheira civil, pós-graduada em Mecânica dos Solos pela COPPE/UFRJ, Gestão Ambiental e Ecologia pela UFMG, Educação Ambiental pela FUBRA, Analista Ambiental concursada da FEAM ; Perita Ambiental da Promotoria da Comarca de Santa Luzia / Minas Gerais.

Fonte1: [EcoDebate, 16/03/2009 - http://www.ecodebate.com.br/]

ADENDO

Finalmente, vale ressaltar que inúmeras estratégias aparecem em todos estes fóruns, tendo como objetivo comum o equacionamento dos problemas das cidades. Dentre elas, destacam-se:

A. Mudança de escala, implicando o incentivo ao surgimento de cidades menores, ou de assentamentos menores dentro da grande cidade; preferência pelos pequenos projetos, de menor custo e de menor impacto ambiental; foco na ação local;
B. Integração das ações de gestão, visando a criação de sinergia, a redução dos custos e a ampliação dos impactos positivos;
C. Necessidade do planejamento estratégico, colocar sérias restrições ao crescimento não-planejado;
D. Descentralização das ações administrativas e dos recursos, contemplando prioridades locais e combatendo a homogeneização dos padrões de gestão;
E. Incentivo à inovação, ao surgimento de soluções criativas; abertura à experimentação (novos materiais, novas tecnologias, novas formas organizacionais);
F. Inclusão dos custos ambientais e sociais na orçamentação dos projetos de infra-estrutura;
G. Indução de novos hábitos de moradia, transporte e consumo nas cidades (incentivo ao uso da bicicleta e de transportes não-poluentes; incentivo às hortas comunitárias, jardins e arborização com árvores frutíferas; edificações para uso comercial ou de moradia que evitem o uso intensivo de energia);
H. Fortalecimento da sociedade civil e dos canais de participação; incentivo e suporte à ação comunitária.

Fonte2: http://www.ibam.org.br/parceria21/cidsus21.htm

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