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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ecosofia - Revisão e Aprofundamento.


Apresentação.

Queridos Amigos,

O texto que hoje quero compartilhar com vocês é ao mesmo tempo um resgate e uma revisão do conceito de Ecosofia (que para mim se traduz num razoável aprofundamento). E ao contrário de ser complexo ele é um texto leve, muito lúcido e altamente valioso. Curiosamente o mesmo foi escrito há mais de dois anos com excertos de um livro que é devidamente citado. Espero que gostem da leitura, enfatizando que o mesmo irá entrar para minha base de dados como “refêrencias”.

Num fraternal Abraço, Léojanz.


Ecosofia

Não me parece necessário voltar aos detalhes e exemplos da grave situação da sobrevivência do planeta em que nos encontramos – situação que é provocada pelo atual sistema econômico e produtivo. Este traz consigo uma lógica de destruição da natureza por meio de uma exploração desmedida e uma crescente contaminação da Terra.

[...] Sem mudar a visão do mundo que chega até nós dada pela cosmologia científica moderna não chegaremos a superar a crise. Faz falta para nós uma nova consciência ecológica, a qual me permiti denominar ecosofia.

Forjei a palavra ‘ecosofia’ para designar um novo nível da crescente consciência ecológica. A ecologia, enquanto logos do oikos, ainda nos faz pensar em uma ‘exploração’ dos ‘recursos’ da terra (sem dúvida mais racional), mas não nos sugere a mutação necessária, a mudança de mentalidade indispensável para a sobrevivência da humanidade. A palavra inglesa ecosystem, que queria ressaltar a harmonia do ‘sistema ecológico’ é conhecida desde 1935.

Tudo isto certamente representa grandes passos no rumo certo; mas o próprio vocabulário que fala de exploração, recursos, necessidades, desenvolvimento etc, sugere que a cosmologia subjacente permanece inalterada. Da mesma forma que hoje se compreende que o homem é (também) um corpo e não somente tem um corpo, é preciso retornar à antiga sabedoria, que nos diz que o homem é a terra, e não somente mora na terra. [...] O homem é a terra, mas a terra também somos nós.

A ecosofia cumpre uma função reveladora. Ela nos revela que a terra – assim como nós mesmos – é limitada, finita; e que temos relações estreitas com ela: relações constitutivas – e, portanto, recíprocas. É uma nova – e antiga – sabedoria. Quanto ao que se refere à nossa questão, a ecosofia nos revela que as fronteiras dos estados são artificiais e não naturais; que a contaminação não reconhece passaportes, que o ozônio da atmosfera não se submete à soberania de um só estado; que as nuvens são mensageiras de amor – como sabem os poetas de Kalidasa – mas também de chuva ácida. Em poucas palavras: a ecosofia nos revela que a dita soberania, inclusive a soberania territorial, é uma ficção. Ela manifesta para nós a interdependência do mundo. Cai o estado soberano. As restrições alfandegárias tornam-se inúteis. É preciso conceber um novo modelo.



Esta é a reflexão muito lúcida de Raimon Panikkar, em seu maravilhoso livro O Espírito da Política - Homo Politicus(originalmente publicado em 1999 na Espanha, editado em 2005 no Brasil pela Triom). Mas a importante contribuição dele com a 'ecosofia' não pode se limitar à criação de uma nova palavra ou conceito. Sem dúvida é fundamental neste momento apontar para o fato de que o discurso eco-lógico fala de 'sustentabilidade' ou de 'desenvolvimento sustetável' -- e isto é perpetuar o horror, pois continua a significar a exploração da Terra -- só que passamos a ter dó ou pena dela, e passamos a 'fazer doer' com mais cuidado. Vamos continuar a machucar, abusar e destruir, mas com mais cuidado (talvez instrumentação melhor e mais sofisticada, como nos propõe a saída tecnológica?) -- e é por medo, há que se dizer. Esta mentalidade do 'sustentável' continua a ser de como a Natureza pode sustentar a humanidade, e não de como a humanidade passará a sustentar o planeta -- ou daquilo que faremos juntos, um com o outro, um para o outro, um pelo outro.

Não, a Terra não vai agüentar o discurso eco-lógico por muito mais tempo, embora ele pareça bastar para pacificar nossa consciência culpada. Pois a nossa lógica só a machucou e destruiu, e assim continuará a fazer, mesmo que agora passe a se chamar de 'eco-lógica'.

Nós, seres sensíveis, que como São Francisco de Assis consideramos nosso irmão o Sol e nossa irmã a Lua, nós que ouvimos a sinfonia do vento nas árvores e a voz dos rios, temos que desenvolver uma nova consciência... Mas será que vamos?

Fonte original: paraserzen

2 comentários:

  1. Todos os seres vivos do planeta, usam os recursos naturais, a diferença está em como o usamos e até quanto podemos usar.
    Certamente o Sustentável, necessita de reformas, mas não pode ser descartado... Já que não podemos, pois não conseguiriamos viver sem o que o meio nos oferece, temos que ter limites e saber de que depois de um certo ponto, não podemos passar.
    Gostei do Texto e refletirei mais sobre ele!!

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  2. valeu pelo comentário no Samsara! Vou ficar de olho neste seu blog. Este é um tema que me interessa também. abs!

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