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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

De padeiro á Mestre-Zen


Obs: crédito da postagem devido á minha amiga Conceição Mistura (do Orkut). Valeu mesmo pelo repasse, Angel!


Havia uma padaria em frente a um templo budista. O monge-chefe precisou viajar e pediu, subitamente, que o dono da padaria cuidasse do templo, atendesse as visitas, etc. Ocorre que, então, chegou um monge viajante à aldeia.

O dono da padaria, preocupadíssimo, foi ouvir a sugestão do chefe da aldeia: “Raspe a cabeça, coloque o manto e apenas sente-se diante da parede como se estivesse meditando. Faça como se estivesse em treinamento de silêncio; nada fale, nem escute e nem responda”. O dono da padaria se animou: “Ah, é fácil! Isso eu posso fazer”. Raspou a cabeça, colocou o manto e sentou-se voltado para a parede.

Nisso chegou o monge visitante e começou a fazer perguntas sobre o Dharma, a doutrina budista. O dono da padaria assumiu um tom grave e fez, Shhhhh. O monge entendeu, “Ah.. Ele está fazendo muitos dias de treinamento de silêncio, mas, já que estou aqui depois de tão longa caminhada nas montanhas, vou aproveitar e perguntar com gestos, assim ele também pode responder com gestos, sem quebrar os seus votos de silêncio”.

Gesticulando, ele perguntou, “como é seu coração, o seu espírito?”. O dono da padaria respondeu com um grande gesto para as dez direções, ou seja, os quatro pontos cardeais, os quatro pontos médios entre eles e para cima, para baixo, “meu coração é como o oceano”. Veio a segunda pergunta, “como viver neste mundo?”.

E o dono da padaria mostrou os cinco dedos da mão, os cinco preceitos (Panca Sila): não matar; não roubar; não cometer adultério; não conduzir os outros a erros; não usar intoxicantes. O monge sentiu-se tocado. “Oh, que bonito!”. E mostrou três dedos da mão, perguntando “Onde estão as três jóias, o Buda, o Dharma e a Sangha?”.

Ao que o dono da padaria respondeu com o punho “Não procure longe, está aqui muito perto, muito próximo do olho; está aqui”. Impressionado, o monge viajante foi embora. Sabendo disso, o chefe da aldeia correu até o padeiro, “Então, o que aconteceu? Ele foi embora muito impressionado. Me conte o que houve!”. E o dono da padaria explicou:

“Aquele monge é mesmo muito estúpido. Primeiro fez um gesto com as mãos, perguntando quanto custa o pão, se o pão da loja era muito pequeno.. Eu abri bem os braços mostrando que o meu pão é bem grande. Ele perguntou quanto custam dez pães e eu mostrei-lhe cinco dedos, dizendo cinco moedas. Mas ele me mostrou três dedos, pedindo que vendesse por três, aí eu pensei.. que sem-vergonha! E por pouco não lhe acertei um soco no olho.

Moral da história: O que você vê depende do seu interesse. Aquilo que não lhe interessa, ainda que esteja lá, você não irá ver. Muitas vezes ocorre o oposto, você vê o que não existe, você cria. Por isso, não confie muito naquilo que esteja vendo.

Como podemos ver as coisas verdadeiramente? Para ver a verdade você tem que ser cego e abrir uma outra visão, o Olho da Sabedoria. Com isso você pode começar a ver as coisas invisíveis, ver até o que o outro está pensando ou o que irá acontecer daqui a dez anos.

Mestre Zen Ryotan Tokuda.

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